A BATALHA DE CAMPINAS

Como está o coração? Vitória chega a perder por 2 a 0, mas vira para cima da Ponte Preta, em jogo histórico e cheio de confusão

27.11.2017

Não é apenas futebol. Não foi apenas um jogo. Foi uma batalha memorável. Uma prova viva de que ser Vitória não é apenas torcer para um time. Ser Vitória é um estilo de vida, uma emoção indescritível, daquelas que não se explica. Apenas se sente. Sem contar o coração rubro-negro, mais forte do que nunca após o triunfo histórico deste domingo (26), por 3 a 2, diante da Ponte, no Moisés Lucarelli, em Campinas. Para transcrever a Batalha de Campinas, é preciso separá-la em quatro atos.

ATO I – O SUSTO

A expectativa com relação à volta do capita Willian Farias foi frustrada já durante o aquecimento, quando o atleta sentiu um desconforto e não entrou. O jogo não começou como queríamos. Com a casa inimiga cheia, a Ponte Preta vibrou com o primeiro gol do embate, aos 6 minutos de bola rolando. O que estava ruim, ficou ainda pior. Aos 14 minutos, pênalti a favor dos mandantes. Outra bola na rede, e o Vitória fica com a desvantagem no placar de dois gols de diferença. Com o resultado parcial, o Vitória estava caindo na tabela, estacionando na penúltima colocação na Série A. Um cenário ruim, mas não para quem acredita no impossível. O Leão continuou fazendo seu jogo, até que aconteceu a primeira coisa favorável. O zagueiro Rodrigo, em ato obsceno de agressão a Tréllez, acabou expulso. Porém, o primeiro tempo terminou com a Ponte na frente, por 2 a 0, e com outro imprevisto. David, machucado, acabou saindo no final da etapa inicial. Porém, seu substituto seria o pivô da reação histórica.

ATO II – A BUSCA

Com o apelido de Imortal, André Lima entrou em campo para imortalizar o duelo. Com um início dominante, o camisa 99 rubro-negro acabou marcado o primeiro gol, aos 12 minutos do primeiro tempo, de cabeça. Uma pequena parte da torcida do estádio começava a acordar de um sono profundo do primeiro tempo. Os rubro-negros presentes no Lucarelli começaram a ensaiar um canto que calaria todo o estádio. E mal o time comemorava o primeiro gol, a torcida teve que buscar mais voz para gritar o gol de empate, de Tréllez, um minuto após a bola na rede de André Lima. O empate já seria fantástico, só que não. O resultado não tirava o Vitória da zona de rebaixamento.

ATO III – A RECOMPENSA

O Vitória cresceu. Se transformou do tamanho de sua grandeza. Os atletas se doaram além dos 100%. Foram mais. Foram guerreiros. Era preciso fazer mais do que igualar o placar. Aos 37, o colombiano artilheiro fez o seu segundo gol do jogo, o terceiro da virada monumental. Um gol que emocionou toda a nação rubro-negra, mas também iniciou a ira da torcida visitante, que invadiu o campo e acabou paralisando a Batalha de Campinas. Um jogo desta grandeza, não teve o final convencional, com o apito final do duelo. Sem segurança para os atletas, a arbitragem decidiu por fim ao duelo tão bonito, que não pode ser manchado pelo vandalismo durante o jogo.

ATO IV – CONFRONTO FINAL

Ainda não foi o ponto final de 2017. Com o resultado positivo, o Vitória saiu da zona, foi para a 15ª posição, com 43 pontos. Para não depender de nenhum resultado alheio, é preciso vencer o Flamengo, próximo domingo (3), no Barradão, às 16h, horário local. Agora, é com a nossa torcida. Mostrar que a superação é contínua. Mostrar que o impossível só existe para quem não luta. E vamos lutar. Juntos, somos mais fortes. Para o confronto, o Leão não conta com Wallace, Tréllez e Geferson, todos suspensos. Porém, ganha um reforço importantíssimo: sua torcida.

A batalha agora é em casa. E definitiva.

Fotos: Denny Cesare / Estadão Conteúdo

FICHA TÉCNICA
Ponte Preta 2×3 Vitória
Campeonato Brasileiro – 37ª rodada
Local
: Moisés Lucarelli, em Campinas (SP)
Data: 26/11/2017
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG/Fifa), auxiliado por Guilherme Dias Camilo (MG/Fifa) e Sidmar dos Santos Meurer (MG)
Cartões amarelos: Geferson, Wallace, Yago, Kanu, Uillian Correia  e Tréllez
Cartão vermelho: Rodrigo (Ponte Preta)
Gols: André Lima e Tréllez (2) (VIT); Lucca, Danilo Barcelos (PON);

Ponte Preta: Aranha, Nino Paraíba, Rodrigo, Luan Peres e Jeferson; Elton, Wendel (Renato Cajá), Danilo Barcelos e Léo Artur (Marllon); Lucca e Léo Gamalho (Saraiva). Técnico: Eduardo Baptista.

Vitória: Fernando Miguel; Patric, Kanu, Wallace e Geferson; Ramon (Carlos Eduardo), Uillian Correia e Yago (Danilinho); Neilton, David (André Lima) e Tréllez. Técnico: Vagner Mancini